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Passos da Paixão atrai 8 mil pessoas a Poá

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Na noite da última sexta-feira, 19 de março, a Praça de Eventos de Poá atraiu 8 mil pessoas para a 20ª edição da Passos da Paixão, promovida pela Associação Cultural Opereta e Cia. Teatro Roda Mundo. Este ano, a apresentação teve como novidade a inclusão, em que deficientes visuais e auditivos puderam acompanhar a peça com Libras e audiodescrição.

Com o tema “Um povo do Brasil, um povo do Sertão”, 140 pessoas estão diretamente envolvidas no projeto, sendo 60 só no elenco do maior teatro ao ar livre do Alto Tietê. O espetáculo abordou o sertão em suas muitas facetas, não só geograficamente, mas os sertões que encontramos em nosso cotidiano, com discriminação, dificuldades, falta de empatia, entre muitas outras situações.

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Matheus Diniz Oliveira, 22 anos, está em sua 9ª participação na Passos da Paixão. Ao longo dos anos passou por diversos papéis. Em sua primeira participação, foi Jesus quando criança, depois foi anjo e demônio, o apóstolo Tiago Menor, escribo, fariseu, Pedro, o sacerdote Anás, Judas e agora dá vida a Jesus. “Quando anunciaram que eu seria Jesus não acreditei e chorei muito. Nunca pensei que um dia teria esse papel e ter essa oportunidade é uma experiência única, pois não há quem nunca ouviu falar de Jesus. Às vezes a pessoa pode nem acreditar em sua existência ou saber sua história, mas já ouviu seu nome”, diz Matheus.

Ao longo do processo de preparação e estudo o jovem ator estudou sobre o Sertão e buscou criar um personagem com características próprias, “meu Jesus retrata a atualidade, quero que as pessoas percebam os sertões em que cada um vive, com os maus-tratos do governo, as dificuldades do dia a dia e entendam o quanto falta solidariedade e respeito em nossa vida”, explica o ator amador e operador de telemarketing.

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Participando pela primeira vez da montagem, Vivian Valharini, de 14 anos, sempre assistiu à peça com a família e tinha o sonho de participar. Este ano, assim que completou a idade mínima para se inscrever, não pensou duas vezes, “durante o processo de preparação a equipe de técnica e direção analisam nossa desenvoltura nos testes e escolhem os papéis que melhor desenvolveremos. Nesta minha primeira participação serei uma das cinco narradoras, o que me assustou um pouco pelo tamanho das falas, mas nos ensaios dividimos os textos e peguei amor pelo personagem. Minha vontade é de no futuro chegar a interpretar Maria Madalena ou Cláudia, que são duas mulheres fortes”, conta.

Também em sua primeira participação, Bárbara Cambur Porto, de 17 anos, ingressou na Passos pela sua paixão pela dança e pelo universo das artes, “estou encenando quatro papéis, faço parte dos grupos de povos e interpreto um anjo. Como é meu primeiro ano no grupo sei da importância de ganhar experiência para conquistar papéis maiores e estou muito feliz com a oportunidade, pois o grupo é muito dedicado e estudioso. Todos sabem a fundo do seu personagem e da importância dele na História. A vivência com os ensaios nos proporciona um conhecimento muito grande, não só com atores profissionais, mas com pessoas de todas as áreas, que nos ensinam dia a dia”.

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Entre os expectadores estava a família de Elias Marques, de São Matheus – São Paulo, que ficou sabendo do espetáculo no próprio dia pela internet, “estávamos em busca de uma encenação para mostrar às crianças o quão importante esta data é e descobrimos aqui. Só de entrar já ficamos impressionados com a grandiosidade do palco e da montagem, tanto que as fotos que mandamos para a família já repercutiram e ano que vem viremos em um número maior. Oferecer esta cultura à minha família é mostrar que a Sexta-feira da Paixão não é só um dia em que não comemos carne, mas uma data de respeito por uma história real de compaixão”. Já mãe e filha, Maria da Conceição e Daiana Galeno, vieram de São Miguel para prestigiar a filha/irmã que participa da organização do evento, “este evento é muito importante pela questão histórica e cultural, além de trazer um público diferente para a cidade. Além disso, sabemos que o elenco se dedica durante meses e vive na pele seus personagens para nos mostrar o significado da solidariedade. Com certeza é uma experiência emocionante que impressiona qualquer pessoa”, diz Daiana.

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